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Sinpro/ES: carta ao jornal A Tribuna
O Sinpro/ES encaminhou uma carta ao Jornal A Tribuna, manifestando-se contrariamente a maneira com que a notícia a respeito de professoras que, supostamente, trabalhariam na prostituição foi publicada. Veja abaixo.
Vitória, 13 de junho de 2008.
À Direção do Jornal “A Tribuna”
Aos cuidados dos senhores Elimar Cortes, Luciano Rangel e Suzana Loureiro
Nesta.
Prezados Senhores
Causou-nos indignação a matéria de capa veiculada no dia 12 de junho do ano em curso cujo título foi: “Policia investiga prostituição de universitárias e professoras”, onde em cima de dados pífios coloca sobre a categoria do magistério capixaba uma pecha de criminosa. Para informação dos senhores, aqui no Estado do Espírito Santo provavelmente somamos cerca de mais de 60 mil professores e professoras, só os por nós representados (SINPRO/ES) são cerca de 15 mil, e se são confiáveis os dados estatísticos, somos as mulheres, mais de 50% (cinqüenta por cento) deste universo, daí pautar uma matéria de capa que compreende cerca de 17 (dezessete) pessoas como algo relevante para a sociedade, é no mínimo, incompreensível.
Em primeiro lugar, porque nós, professoras e professores, além de mediarmos a produção e construção do conhecimento humano, devemos, também nos pautar por conduzir e orientar a formação do caráter e da personalidade de milhares de crianças e jovens, e que por isso, somos considerados, exemplaridade e modelo.
Em segundo lugar, a educação no Brasil e via de conseqüência, seus professores e suas professoras estão, por omissão da nossa sociedade, passando por sérias dificuldades de formação, assim como, de carências materiais, no entanto, a maioria de nós cumpre três jornadas de trabalho em estabelecimentos de ensino, sejam públicos ou privados para garantir a nossa sobrevivência com dignidade e ética, porque temos consciência de nossas responsabilidades e do papel que representamos para os nossos alunos e alunas.
Em terceiro lugar, por que o ato educativo não é de responsabilidade apenas dos professores e das professoras, apesar de a estes e a estas, ser uma tarefa peremptória, cabe também, ao conjunto da sociedade, aí incluída a imprensa, a exercer também o seu papel educativo, de informar bem, com ética e responsabilidade, fatos que sejam relevantes e prioritários para a sociedade, baseados em elementos que falem por si só, e não apenas por um número inexpressivo de casos que compromete a boa notícia feita de boa lavra.
Em quarto lugar, fazemos questão de ressaltar que não nos move aqui nenhum sentimento ou pensamento pseudo-moralista que nos leve a julgar e condenar, até por que não é este o nosso mister, pessoas que por razões ou motivações intrínsecas a sim mesmas e a uma sociedade desigual e injusta social, econômica e politicamente, buscam sobreviver à custa de violentar seus próprios corpos.
Cabe-nos neste momento, expressar nossa indignação e surpresa o fato de um jornal, da qualidade e abrangência do Jornal A Tribuna, cometer tão grave injustiça contra as professoras e as estudantes capixabas e inclusive, de falar às nossas professoras que trabalham com os sonhos e os ideais de milhares de pais e mães, de alunos e alunas, que continuamos a ter orgulho de sermos professoras e professores.
Marcia Machado.
Mulher, Cidadã, Professora Mestre em Educação/UFES, Diretora Secretária-Geral do SINPRO/ES e da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil/ES.
Fonte: Sinpro/ES
Publicado em 24/06/2008
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