Sinpro/SP não abre mão das denúncias contra irregularidades

A notificação que a UNIB enviou ao SINPRO-SP é mais um dos muitos erros de avaliação que os dirigentes dessa universidade cometem contra seus professores. Imaginar que o Sindicato possa se intimidar não é apenas um gesto ingênuo; é também uma forma equivocada de lidar com a crônica tensão existente na instituição, como se fosse possível varrer o problema para debaixo do tapete.

A UNIB atrasou, sim, os salários de maio, os salários de junho e as férias. E só regularizou afobadamente parte desse débito porque foi alvo da pressão que seu corpo docente, através do SINPRO-SP, exerceu para que recebesse o que lhe era devido. Por conta disso é que foi chamada ao Ministério Público do Trabalho. E foi lá, perante uma procuradora, que reconheceu sua dívida, propondo inclusive um prazo para seu pagamento. Sob pressão.

Há alguns anos, quando a UNIB criou um plano de carreira exclusivamente com o objetivo de rebaixar salários (em alguns casos, em percentual próximo de 60%), a alegação – que nunca foi aceita por ninguém – eram as dificuldades financeiras que enfrentava, situação que levou à demissão de praticamente todo o corpo docente (mais exatamente, entre 2005 e 2008, 793 professores). Agora, os atrasos no pagamento dos salários também são justificados com o mesmo argumento. A prática de sacrificar direitos para sanear as finanças de uma empresa tem dois nomes: incompetência ou má fé. Em vista disso, o Sindicato até que tem sido moderado nas suas críticas...

O Sinpro/SP cumpre com seu papel – legal e legítimo – de defender a categoria que representa. É uma luta difícil porque lidamos com um patronato cercado de privilégios e munido de uma cultura de impunidade, como de resto acontece com esse capitalismo rastaqüera de que somos vítimas. No caso do ensino, no entanto, o custo social dessa irresponsabilidade é muito grande porque não se restringe à penalização dos professores; pune também a qualidade do ensino oferecido aos estudantes, isto é, produz um dano definitivo que crava seus efeitos no futuro do país. O resultado, para o qual as práticas da UNIB contribui, são as mensagens que recebemos dando conta do baixo prestígio de que gozam essas instituições. No ensino não existe a possibilidade de um “recall”.

Nosso Sindicato está firmemente determinado a agir contra isso. As denúncias que recebemos, uma vez comprovadas, motivam nossas ações. Está sendo assim, agora, com a Universidade Ibirapuera e com aquelas que têm freqüentado nossa home page. Será assim com outras ainda. Não vamos abrir mão disso.

Fonte: Sinpro/SP
Publicado em 01/08/2008