Sinpro Campinas: Pedagogo Cubano fala para diretores do Sinpro

O Brasil pode ser um grande parceiro de Cuba na troca de experiências e pesquisas na área de Educação. O convite partiu do pedagogo cubano e membro da direção nacional a Associação de Pedagogos de Cuba, Mariano Islã Guerra, mestre em Ciência da Educação, e doutor em Ciência Pedagógicas, e que esteve nesta segunda-feira, dia 30 de março, no Sinpro Campinas. Ele veio falar sobre as condições de trabalho dos professores cubanos, do modelo de educação implantado com sucesso naquele país e aproveitou para convidar os diretores do Sinpro para fazerem um encontro bilateral entre professores brasileiros e a filial da Associação de Pedagogos na cidade de Matanças, a 100 quilômetros de Havana, considerada a terceira melhor filial do país em termos de produção científica.

Na palestra feita no Sindicato e aberta à participação dos professores, Mariano Guerra falou das condições de trabalho dos professores, que embora sejam muito melhores que as condições dos docentes no Brasil, também levam a uma crise da falta de interesse pela carreira. Os professores lá são contratados por 30 ou 40 horas, mas neste tempo está prevista a remuneração para pesquisa e dedicação à capacitação.

Uma das razões para o baixo interesse pela carreira docente, na opinião de Mariano Guerra, é a grande exposição que se dá ao médico, engenheiro e artistas. "O salário dos professores é alto, mas os médicos e engenheiros têm possibilidade de ganhar mais, porque podem trabalhar para empresas. Nós lutamos por um salário mais alto pela importância da profissão. Lutamos para que a imagem do professor ganhe mais relevância", defende o pedagogo.

Organizações de classe

O sindicato dos professores de Cuba atua na defesa dos direitos dos professores e cobra para que haja tempo para dedicação à pesquisa e para capacitação.
Já a Associação de Pedagogos, que se auto financia e não recebe qualquer subvenção do Estado, engloba não só professores, mas outros profissionais interessados no tema, além de alunos e atua na formação continuada dos professores e também como um espaço de intercâmbio acadêmico, social e científico entre os educadores.

Experiência cubana

Mariano Islã Guerra falou também da experiência cubana em educação e que deveria servir de modelo para os outros países. "No primeiro ano de vida a criança fica com a mãe que recebe um ano de licença para estar com o filho neste período", diz o educador de Cuba. As crianças começam a ser atendidas aos 2 anos de idade no nível equivalente à educação infantil e permanecem até os 5 anos se preparando para a pré-escola, trabalhando essencialmente a comunicação, o desenvolvimento motor e cognitivo. Aos seis anos está pré-alfabetizada e pronta para ingressar no ensino primário, que irá dos 7 aos 11 anos. Nesta fase do aprendizado terão sempre os mesmos professores de Ciências, Letras, Computação, Idiomas e Educação Física.

Dos 12 aos 14 anos os adolescentes ingressam na educação secundária com mais quatro disciplinas, além daquelas já existentes no primeiro ciclo. Todos os alunos permanecem na escola sete horas por dia e no currículo aprendem artes, teatro, música, dança, educação física e, na maioria das escolas, recebem também almoço. As salas de aula da educação infantil atendem no máximo 20 crianças e na educação básica, são atendidos 15 alunos por sala.

Na continuidade dos estudos o aluno pode, a partir dos 15 anos, ingressar no ensino pré-universitário, equivalente ao médio no Brasil, ou optar pela escola politécnica para sair com uma profissão e emprego garantidos.
A educação superior é municipalizada e oferece quatro diferentes universidades e nas áreas de Pedagogia, de Medicina, de Cultura Física e Ciências, que engloba os cursos de Direito, Administração e outras áreas do conhecimento.

Fonte: Sinpro Campinas
Publicado em 10/06/2009



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