SINPRO/Campinas: Professores da Unimep rejeitam propostas da reitoria para 13º e férias

Os professores da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) rejeitaram as propostas apresentadas pela Reitoria, de garantir por meio de empréstimos consignados tomados pelos professores, o pagamento do 13º salário ou aceitar o parcelamento do benefício em seis a 10 meses, com valores corrigidos em 1,5% ao mês.

A decisão foi tomada durante a assembléia realizada na última sexta-feira, dia 30 de novembro e reuniu cerca de 100 docentes da Universidade. O resultado da Assembléia foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, para que tome as providências legais contra a Unimep exigindo o cumprimento da CLT e da Convenção Coletiva de Trabalho em vigor. 
Os docentes também aprovaram por unanimidade a divulgação de um manifesto, com assinatura das comunidades docente e discente, pedindo a renúncia da Reitoria e da Direção Geral do Instituto Educacional Piracicabano.

Assembléia
O presidente do Sindicato dos Professores de Campinas (Sinpro) Cláudio Jorge, abriu a assembléia apresentando a proposta encaminhada pela Reitoria na sexta-feira, dia 30 de novembro, ao meio dia. Ele lembrou que caso os professores aceitassem contrair empréstimos consignados em seus nomes estariam assumindo o risco de saldar o compromisso e, ao mesmo tempo, autorizando a Universidade a parcelar o pagamento do 13º em até 10 vezes, dado que os empréstimos consignados seriam saldados em 10 parcelas lançadas no holerite dos docentes.

Em seguida, o presidente da Associação dos Docentes da Unimep (Adunimep), José Alberto Rodrigues Filho iniciou a fala dizendo que em nenhuma das audiências realizadas com o Ministério Público ou diretamente com a Reitoria, houve um compromisso seguro da Instituição de regularizar os pagamentos de salários. Ele falou do constrangimento dos professores em ter que lançar mão de empréstimos consignados para solucionar o problema de caixa da Instituição.

As diretoras do Sinpro Marilda Aparecida Ribeiro Lemos e Conceição Fornasari falaram da ação de cumprimento movida em setembro contra a Unimep e que cobra da Instituição a regularização de questões como o atraso dos salários, o não pagamento de hora extra e da hora atividade, além de pleitear o plano de saúde para todos os professores como prevê a Convenção Coletiva vigente. 

Férias
Na assembléia os professores rejeitaram também a proposta da Unimep para o pagamento das férias fora do prazo estabelecido pela Lei. A Instituição pretendia pagar as férias somente em 5 de janeiro, antecipando apenas o abono de 1/3. De acordo com a CLT e a Convenção Coletiva de Trabalho as instituições são obrigadas a pagar as férias e o abono 48 horas antes do início do período de férias.

Manifesto
Outra decisão tomada pela assembléia dos professores da Unimep foi a divulgação de um manifesto entre a comunidade acadêmica para que professores e alunos possam aderir e que pede a renúncia imediata do Reitor e de sua equipe, tanto da Reitoria da Unimep, quanto da Diretoria Geral do Instituto Educacional Piracicabano (IEP).
Leia abaixo a íntegra do manifesto que pretende colher as assinaturas nas duas próximas semanas:

MANIFESTO DA COMUNIDADE DA UNIMEP PELA RENÚNCIA DO REITOR E DIRETOR GERAL DO IEP

A universidade é o espaço da diversidade, do diálogo, dos saberes múltiplos, do debate de idéias, da criação e divulgação do conhecimento e da formação de profissionais qualificados e críticos do Estado e da Sociedade. Seu dirigente máximo – o reitor – é aquele que a rege e governa a partir da autonomia e representatividade polítco-acadêmica de seus diferentes colegiados legalmente instituídos.

A investidura do cargo de reitor não se restringe a uma nomeação pura e simples ou a um mero ato de transmissão de beca, borla e capelo. Ela se concretiza por atos e compromissos que estabelecem uma relação de confiança e credibilidade entre  o reitor e os membros e segmentos que compõem a universidade.


Na Universidade Metodista de Piracicaba vivenciamos atualmente um momento de extrema gravidade em que o dirigente máximo da instituição tem demonstrado a sua incapacidade de regê-la e de exercer sua autoridade com base naquilo que a fundamenta: o trabalho colegiado.

Se por um lado, 7 e 26 de dezembro de 2006 foram as datas fatais em que o ato de demissão de 148 professores e a nomeação de diretores e coordenadores como cargos de confiança significaram a quebra de compromissos assumidos pelo reitor diante dos diversos órgãos colegiados superiores e das unidades e, portanto, expuseram sua face autoritária, truculenta e desrespeitosa da lei; por outro, ao longo de 2007, enquanto a comunidade acadêmica cumpria seus compromissos institucionais, o reitor, contrariando todas as promessas e expectativas, mostrou-se reiteradamente incapaz de promover o diálogo, de liderar processos sob a égide das políticas e normas institucionais estabelecidas. A sua postura sempre foi a do convicto encerrado na sua ilha de verdades irrefutáveis.

Este é um momento sui generis na história da instituição: o do esgotamento total das esperanças de que o reitor poderia, por suas atitudes, ganhar credibilidade junto à comunidade unimepiana e investir-se da legítima autoridade do cargo. Entretanto, passado um ano no cargo, isto não ocorreu, não tendo ele jamais se apresentado, diante da comunidade acadêmica, como seu máximo dirigente, isto é, como responsável pelo resguardo e cumprimento das normas estatutárias e regimentais que mais uma vez acaba de desrespeitar, ao suspender – com ato intempestivo e sem audiência ou referendo do Conselho Universitário – a oferta de 24 cursos no Processo Seletivo 2008-1. Essa situação impede o pleno andamento dos processos administrativos e acadêmico-científicos e faz com que a Unimep se arraste, sem direção e sem perspectivas, para uma previsível e intolerável falência institucional.


Diante do estado de total acefalia em que se encontra a Universidade Metodista de Piracicaba, por absoluta falta de crédito e legitimidade de seu reitor, assim como de sua equipe de reitoria, nós, abaixo-assinados, docentes e discentes desta universidade, profundamente preocupados com seu futuro, nos manifestamos publicamente pela renúncia do Prof. Davi Ferreira Barros do cargo de reitor da Unimep, assim como do cargo de Diretor Geral do Instituto Educacional Piracicabano.

Piracicaba, 30 de novembro de 2007.

Fonte: Sinpro/ Campinas
Publicado em 04/12/2007