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Sinproep/DF: Crise no Unicesp se arrasta e causa prejuízos financeiros a estudantes
Com as aulas suspensas há dois meses, os estudantes do Instituto Científico de Ensino e Pesquisa (Unicesp) já sentem os efeitos causados pela crise financeira da instituição.
Com as aulas suspensas há dois meses, os estudantes do Instituto Científico de Ensino e Pesquisa (Unicesp) já sentem os efeitos causados pela crise financeira da instituição. As reclamações mais fortes são de quem estava prestes a se formar no fim deste ano. Com despesas de formatura pagas ou emprego garantido, os futuros profissionais sofrem com a paralisação das aulas. Muitos já procuram outra faculdade em busca de uma transferência. No entanto, mesmo diante do quadro desanimador, há quem prefira permanecer no Unicesp, na esperança de que a situação se normalize antes do próximo dia 22, quando termina oficialmente o ano letivo na instituição.
O estudante estrangeiro Helder Ivan D’eça, 23 anos, convive com a agonia nas últimas duas semanas. Há dois anos, ele deixou a cidade de Lisboa, em Portugal, para iniciar o curso de Tecnologia de Segurança em Informação (TSI) . Cursando atualmente o 4ª semestre, ele teria apenas mais seis meses para concluir o curso. No entanto, foi pego de surpresa. A preocupação maior é com o visto de universitário, que vence no próximo dia 13. “Terei de voltar a Lisboa se não conseguir matrícula no último semestre do curso. A embaixada exige o documento para renovar o visto”, lamenta Helder, que já gastou R$ 16 mil com os estudos.
Quem antecipou o pagamento da festa de formatura também saiu prejudicado com a crise do Unicesp. Estudante do último semestre de Pedagogia da Educação, a estudante Renata Ribeiro Torres, 35 anos, estima que teve um prejuízo de R$ 1,3 mil reais com a crise da faculdade. Ela resolveu cancelar a festa de formatura diante da incerteza de pegar o canudo. “Não teria o menor sentido festejar sem estar formado. Por isso, resolvi cancelar o contrato. A empresa responsável acabou ficando com 60% do que estava pago”, conta ela. A festa estava marcada para março de 2008.
Transferência de campus
A crise financeira do Instituto Científico de Ensino e Pesquisa (Unicesp) também manifesta-se fortemente no curso de Aviação Civil. Insatisfeita pelos quatro meses de atraso salarial, a coordenação do curso decidiu revelar que há propostas de cinco faculdades locais para comprarem o curso. A informação, no entanto, não foi confirmada pela direção do Instituito. A formação de pilotos, oferecida apenas pelo Unicesp entre as faculdades de todo o DF, conta atualmente com 240 alunos matriculados entre os 4mil da instituição. A possível mudança de campus já preocupa os estudantes.
Segundo o coordenador do curso de Aviação Civil, Adair Geraldo Ribeiro, as propostas foram feitas pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), Faculdade Projeção, Alvorada, Michelangelo e Faculdade de Meio Ambiente e Tecnologia de Negócios (Famatec). “Eles estão dispostos a herdar as dívidas. Isso é ótimo para nós, que estamos com o salário atrasado e temos todo o interesse em evitar que o curso feche as portas”, conta Ribeiro, responsável desde a criação do curso, 2002.
Para que seja confirmado um possível contrato de transferência para outra instituição, o Ministério da Educação (MEC) ainda precisaria aprovar as novas instalações. Além disso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ficaria encarregada em homologar o curso. O coordenador do Unicesp acreditar que essa é a única forma de evitar que o pior aconteça. “Estamos fazendo o possível e impossível. Mas, infelizmente, ainda falta apoio da reitoria, que não entra em contato desde o início da crise. Não sabemos o que está ocorrendo”, protesta.
Processo
A crise no Unicesp mobiliza também o Ministério Público do DF (MPDFT). A promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) encaminhou nesta segunda-feira ao Tribunal de Justiça (TJDFT) o relatório completo sobre as apurações preliminares do caso. O promotor responsável, Paulo Roberto Binicheski, afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que relatou as denúncias recomendando a abertura de processo por danos materiais e morais aos professores e estudantes da instituição.
Fonte: Sinproep/ DF
Publicado em 04/12/2007 |
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