Seminário no Sinpro-MG debate condições
de trabalho e saúde profissionais de ensino

Professores e auxiliares de administração escolar de todo o Estado de Minas Gerais participaram, nos dias 28 e 29 de setembro, do Seminário Saúde e Trabalho na Educação Privada, no auditório do Instituto de Educação de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O evento foi promovido pelo Sinpro Minas, SAAE/MG e FITEE, em parceria com a Fundacentro.

Cerca de 160 pessoas assistiram a palestras de especialistas no assunto, que falaram sobre o processo de adoecimento dos trabalhadores no setor educacional. Na abertura, o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, ressaltou a importância desse seminário para a luta por melhores condições de trabalho e saúde dos professores. Segundo ele, a pressão cotidiana de pais, alunos e donos de escolas tem feito muitos profissionais procurarem o sindicato. “A agressão não é só psicológica, mas também física. Nossa profissão está se tornando de alto risco”, denuncia.

Em seguida, a diretora do Sinpro Campinas, Viviana Aparecida Lima, falou da pesquisa que realizou sobre as repercussões das condições de trabalho para a saúde. Segundo ela, os professores estão preocupados com a qualidade do ensino e desejam mudanças. O Seminário também abordou o tema estresse e assédio moral, com palestra da coordenadora estadual da Fundacentro, Marta de Freitas.

No sábado, pela manhã, a platéia acompanhou atenta a palestra do professor da Universidade de Brasília (UNB), Wanderley Codo, Doutor em Psicologia Social e autor de vários livros sobre educação. Ele abordou os aspectos subjetivos do trabalho dos educadores, que permeiam o prazer e o sofrimento. “O amor e a dor são duas faces da mesma moeda e apesar do péssimo salário e condições precárias de trabalho, os professores continuam trabalhando”. Codo explica que eles ficam exauridos, mas, ao mesmo tempo não saem porque gostam do que fazem. Isso implica em sofrimento e pode levar a ocorrência de Burnout, síndrome através da qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas já não o importam mais. Codo defende o retorno da fusão entre afeto e trabalho, que o capitalismo tentou excluir.

À tarde, o médico do trabalho do Sinpro Minas, Geraldo Pimenta, ressaltou que a saúde é resultado da combinação de vários fatores, como boa alimentação, lazer, condições dignas de trabalho e moradia, entre outros. "Vários estudos têm mostrado que a saúde do professor não vai bem. É crescente o número de docentes que procuram o sindicato acometidos por doenças do trabalho, como disfonia e calosidade nas pregas vocais, tendinites, bursites, hérnias na coluna, depressão, ansiedades, fadiga, fobias e, inclusive, doenças cardiovasculares".

Para mudar esse quadro, uma série de medidas foi apontada por Pimenta, como a instalação, por parte das escolas, de projetos arquitetônicos que garantam boas condições de trabalho, a incorporação na sala de aula de equipamentos como microfones, a substituição do giz por pincéis e a promoção de cursos e oficinas sobre o uso correto da voz.  "Além disso, as atividades de preparação, correção de trabalhos e avaliações devem ser incorporadas na carga horária total de trabalho, como forma de evitar a sobrecarga e garantir descanso e lazer", ressaltou o médico.

Pimenta destacou ainda o papel do Estado na saúde da população em
geral. "O Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser fortalecido. Sua precariedade provoca, a cada dia, um ônus imensurável à população. O povo, suas organizações e movimentos, seus partidos e parlamentares, precisam desencadear uma pressão pelo direito à vida, pelo direito a um serviço de saúde eficiente e de qualidade".

Em outra mesa de debate, as professoras Ada Ávila Assunção e Sandra Gasparini, do Grupo de Estudos sobre o Trabalho Docente (Gestrado) da UFMG, apresentaram dados de uma pesquisa com docentes da rede municipal de Belo Horizonte. De acordo com a pesquisa, 51,3% dos professores do ensino fundamental apresentaram algum tipo de transtorno mental. "Os estudos mostram que os transtornos são diversos, como alterações de sono, irritabilidade, nervosismo, estado de depressão e de ansiedade, entre outros", apontou Gasparini. 

Segundo ela, a violência, tanto de pais de alunos quanto de pessoas externas ao ambiente escolar, foi o principal fator que motivou o transtorno mental. "Verificamos também que problemas como a falta de autonomia do professor e de recursos pedagógicos, bem como os ruídos e o desconforto térmico - falta de ventilação e salas de aulas quentes - são fatores que favorecem o aparecimento desses transtornos".

Fonte: Sinpro Minas
Publicado em 05/10/07