Centrais encaminham carta a Temer pela aprovação das 40 horas
Reivindicações podem gerar, ampliar e formalizar empregos e direitos; com inclusão social e valorização do trabalho, pilares para o desenvolvimento sustentável da Nação brasileira.
No início desta sessão legislativa, que se iniciou no dia 2 de fevereiro, as centrais sindicais encaminharam ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), carta em que expõem as razões fundamentais porque defendem a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Na carta, as centrais também explicam a necessidade de a Câmara aprovar os proposições de interesse dos trabalhadores - como a política de valorização do mínimo, um novo marco regulatório do trabalho terceirizado, fim do fator previdenciário, entre outros.
As centrais afirmam ainda que "o caminho trilhado pelo País, no último período, oferece a oportunidade de promover negociações e uma concertação nacional capaz de implementar políticas públicas que considerem a distribuição de renda, inclusão e justiça social e, consequentemente, a democratização das relações sociais e de trabalho".
Hoje, Temer vai conversar com representantes dos empresários e dos trabalhadores, a fim de negociar um entendimento para colocar a proposta em votação. Está sendo gestado um entendimento para reduzir a jornada gradualmente.
Leia a íntegra da carta:
Carta das centrais sindicais sobre a redução da jornada de trabalho
Brasília, 2 de fevereiro de 2010.
Exmo. Sr.
Presidente da Câmara dos Deputados
Michel Temer
As centrais sindicais brasileiras vêm, desde 2004, realizando marchas nacionais a Brasília, numa ação unitária, reivindicando e negociando um conjunto de questões e políticas de interesse da classe trabalhadora e da sociedade.
Reivindicações que potencializam a geração, ampliação e formalização de empregos e dos direitos; com inclusão social e valorização do trabalho como pilares para o desenvolvimento sustentável.
Exemplo exitoso é a política de valorização do salário mínimo, negociada em 2007, que possibilitou 45% de aumento real para trabalhadores (as), aposentados e pensionistas desde 2004.
Mais uma vez, em 2009, as centrais sindicais, unitariamente, realizaram a 6ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, como elemento fundamental para a continuidade do processo de desenvolvimento em curso como também a reivindicação pela aprovação de projetos que tratam da ampliação de direitos dos trabalhadores (as) e mecanismos de proteção aos trabalhadores (as) no mercado de trabalho como essenciais à ampliação da democracia nas relações sociais.
As condições econômicas construídas pelo Brasil nos últimos anos lhe proporcionaram enfrentar os impactos da crise econômica internacional, mantendo a capacidade de agir e de promover o desenvolvimento com distribuição de renda, assim como criaram a oportunidade para recolocar na agenda política o debate sobre o padrão de desenvolvimento e o papel do Estado.
É por isso que, nesse início de 2010 e de ano legislativo, mais uma vez, nos apresentamos com os seguintes temas e projetos prioritários, entendendo que o caminho trilhado pelo País, no último período, oferece a oportunidade de promover negociações e uma concertação nacional capaz de implementar políticas públicas que considerem a distribuição de renda, inclusão e justiça social e, consequentemente, a democratização das relações sociais e de trabalho:
- Redução da jornada de trabalho para 40 horas
A redução da jornada de trabalho está no centro do debate sobre a geração de emprego e qualidade de vida. A redução da jornada de trabalho, hoje, tem a capacidade de se contrapor à posição conservadora que impõe a desregulação do trabalho, garantindo a inclusão social como questão central.
- Valorização do salário mínimo
É de fundamental importância para a classe trabalhadora e para a continuidade do processo de desenvolvimento do país a consolidação de uma política de valorização do salário mínimo, com a aprovação do PL 1/07, que transforma a negociação efetivada entre Governo e centrais em uma política de Estado.
- Convenções da OIT
Ratificação da Convenção 151, da OIT, negociação no serviço público, e da Convenção 158, da OIT, contra a demissão imotivada
Proteger e incluir trabalhadores (as) é uma das tarefas imprescindíveis para um Brasil mais justo e democrático; e é responsabilidade do Estado como regulador e empregador, como indutor do desenvolvimento com distribuição de renda.
Por isso, é cada vez mais urgente constituir mecanismos legais que garantam a proteção dos trabalhadores, especialmente contra a demissão imotivada e a alta rotatividade.
Passo importante foi dado pela Câmara dos Deputados ao aprovar a Convenção 151, em 1º de outubro de 2009. Esperamos que o Senado, agora, aprove rapidamente essa Convenção.
- Terceirização
Há a necessidade de um novo paradigma para as terceirizações no Brasil. Esse instrumento não deve continuar servindo como mecanismo de precarização do mercado de trabalho. Defendemos, entre outros pontos, a igualdade de direitos entre trabalhadores contratados diretamente e os terceirizados. Por isso, torna-se necessária a aprovação imediata do projeto de lei sobre Terceirização acordado entre trabalhadores e Governo, a ser enviado ao Congresso Nacional, com a retirada dos PLs 4.302/98 e 4.330/04.
- Aprovação de marco regulatório para o pré-sal
Considerando que a exploração e produção da riqueza do pré-sal gerarão empregos diretos e indiretos nos mais diversificados setores, o que demanda uma política industrial articulada e integrada, de fomento e incentivo à produção nacional com progressiva agregação de valor em todos os elos que compõem a cadeia produtiva, é imprescindível que as imensas jazidas fiquem nas mãos do povo brasileiro e sejam usadas para ampliar os investimentos no desenvolvimento nacional, com mais recursos para a saúde, educação, reforma agrária, meio ambiente e ciência e tecnologia.
- Fim do fator previdenciário
A introdução do fator previdenciário, em 1999, teve impacto direto no valor das aposentadorias por tempo de contribuição. Portanto, as centrais defendem a extinção do fator previdenciário e a manutenção da regra de aposentadoria por tempo de contribuição, sem idade mínima.
- Aprovação da PEC 438/01, contra o trabalho análogo ao escravo
Expropriar terras onde exista confirmação de trabalho escravo, para de assegurar a erradicação de uma chaga social inadmissível no Brasil que estamos construindo. Para nós, uma prioridade.
- Limite da propriedade rural - alterar a Constituição Federal para limitar a propriedade rural, onde grandes proprietários, brasileiros e estrangeiros, não possam ter extensões de terra que ultrapassem os 35 módulos fiscais, possibilitando ampliar os assentamentos rurais e valorizar a agricultura familiar.
- Índices de produtividade - atualização dos Índices de Produtividade pelo MDA (Ministério do desenvolvimento Agrário) e Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), por meio de portaria interministerial.
Assim, conclamamos vs. exmas. a envidar esforços no sentido de priorizar a aprovação dos projetos de interesse da classe trabalhadora em tramitação no Congresso Nacional, dando consecução ao grande compromisso com a Nação brasileira de democratização das relações sociais.
Antônio Neto (Presidente da CGTB ), Wagner Gomes (Presidente da CTB), Artur Henrique (Presidente da CUT), Paulo Pereira da Silva (Presidente da Força Sindical), José Calixto Ramos (Presidente da NCST) e Ricardo Patah(Presidente da UGT).
Fonte: Diap
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