Dieese: valorização do mínimo beneficia todos os trabalhadores
A política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo Lula não beneficia apenas os que recebem o modesto piso nacional (que são milhões). Também está impactando positivamente as campanhas salariais de categorias com salários superiores ao mínimo, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou nesta quinta (18) o balanço das negociações salariais de 2009.
A pesquisa abrange 692 negociações realizadas nas diferentes regiões e em todos os setores da economia (indústria, comércio e serviços), com exceção da agropecuária. O Dieese concluiu que “os reajustes salariais foram poucos afetados pela crise internacional deflagrada nos últimos meses de 2008. Um dado concreto que corrobora essa tese é a sequencia ininterrupta de seis anos, iniciada em 2004, que mostra que 80% ou mais das categorias afetadas conquistaram reajustes em percentual no mínimo igual ao INPC-IBGE – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas”.
Impacto positivo
O estudo observa que, apesar de ainda discreta, “cresce (de 1%, em 2008, para 3% em 2009) a presença de unidades de negociação com mais de 4% de ganho real. É possível dizer que este incremento está diretamente relacionado à política de valorização do salário mínimo nacional, pois quando são identificadas as categorias que atingiram ganho acima de 4% observa-se que os pisos salariais destas categorias são muito próximos do mínimo nacional e que os ganhos reais praticados no salário mínimo foram transferidos não só para aqueles que recebem o piso salarial, mas também para as faixas imediatamente superiores de salários.”
Deste modo, “o comportamento do salário mínimo nacional, ao menos para as categorias de menor remuneração, tornou-se um aliado não só na elevação dos pisos salariais, mas também no reajustamento dos salários mais baixos, provocando um efeito cascata sobre as faixas salariais próximas do novo salário mínimo. Este fenômeno ocorre para que os trabalhadores com menos tempo de casa, que recebem o piso da categoria, não venham a ter remuneração igual ou até superior aos mais antigos da mesma função”, opina o Dieese.
Setores
Por setores da economia, a indústria, que sofreu o maior impacto da crise, registra “um recuo na quantidade de categorias com ganho real nos salários, ainda assim pouco expressivo (regride de 88% para 85%). No comércio [que não entrou em recessão], o percentual se manteve estável no patamar de 88%, enquanto no setor de serviços observa-se uma melhora expressiva: uma elevação de 11 pontos percentuais na proporção dos reajustes com ganho real.”
Ao analisar os reajustes acumulados em duas datas-base (2008 e 2009), o Dieese constatou que cerca de 85% das 692 negociações pesquisadas “obtiveram aumentos reais na comparação com a inflação do biênio; 5% reajustes apenas suficientes para repor o poder de compra dos salários; e 11% acumularam perdas”, sendo que “apenas 22 categorias profissionais negociaram índices inferiores ao INPC-IBGE em ambos os anos, o que representa pouco mais de 3% das unidades de negociação estudadas. Por outro lado, 472 negociações (68% do painel) obtiveram aumentos reais tanto em 2008 quanto em 2009”.
Regiões
Foi na indústria que os trabalhadores obtiveram ganhos mais significativos, de acordo com o estudo, “pois aproximadamente 11% das negociações salariais ultrapassaram 5% de aumento real”. Já no setor de serviços “o retrospecto é o menos favorável. Um indício é a quantidade de categorias com perdas salariais acumuladas no intervalo 2008-2009 que totaliza algo em torno de 19%”.
Por regiões, “em 2009, as unidades da federação que compõem o Centro-Oeste registraram a menor proporção de percentuais de reajuste abaixo da inflação (4%), seguidas de perto pela região Sul (5%). A situação do Norte e nos documentos de âmbito nacional foi um pouco diferente: 15% sequer alcançaram a inflação acumulada na data-base. No Sudeste, onde há o maior número de unidades de negociação, 77% das categorias garantiram reajustes superiores ao INPC-IBGE, 15% igualaram e 8% ficaram abaixo do índice.”
Valorização do trabalho e desenvolvimento
Refletindo a recuperação da economia, “as negociações com datas-base no segundo semestre foram as que apresentaram maior de reajustes acima da inflação em 2009. Enquanto nas datas-bases de julho a dezembro ao menos 85% conquistaram ganhos reais de salários, no primeiro semestre [quando a crise ainda se fazia sentir com certa força] apenas em um mês (janeiro) a marca dos 80% foi atingida.”
O comportamento dos salários foi fundamental para o crescimento do consumo doméstico. E o fortalecimento do mercado interno foi o fator que amorteceu os impactos da crise e conduziu a economia ao caminho da recuperação e expansão. Os fatos dão razão aos que defendem a valorização do trabalho como fonte do desenvolvimento nacional.
Otimismo
A evolução da inflação também teve um impacto positivo nas negociações, segundo o Dieese. “Sabe-se que a negociação do percentual de reajuste é facilitada em momentos nos quais não há risco de descontrole inflacionário”.
Para este ano as expectativas são otimistas. “As estimativas apontam para um ano de crescimento econômico robusto e expansão do nível de emprego. Se ao longo dos demais meses as expectativas favoráveis que os indicadores econômicos vêm revelando se confirmarem, é razoável supor um ano ainda mais positivo para a negociação coletiva de salários”, conclui o estudo.
Fonte: Vermelho
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