Centrais entregam ao governador de Minas projeto do piso salarial estadual
Numa vitória do movimento sindical em Minas Gerais, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais se reuniram na manhã desta segunda-feira (2) com o governador Antônio Anastasia, no Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa. Os dirigentes sindicais participaram do lançamento da Rede Mineira do Trabalho e entregaram ao governador a pauta da classe trabalhadora em Minas Gerais, que inclui a criação de um piso estadual salarial, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, entre outras propostas.
Anastasia anunciou que um comitê tripartite, em que as centrais sindicais terão assento ao lado do governo do Estado e do empresariado, coordenará a Rede MIneira do Trabalho. O governador assumiu o compromisso de que o primeiro ponto de pauta do comitê será o piso estadual salarial, cujo valor será superior ao salário mínimo nacional.
O presidente da CUT-MG, Marco Antônio de Jesus, o presidente da CTB no Estado, Gilson Reis, e o presidente da Força Sindical, Rogério Fernandes entregaram ao governador Antônio Anastasia o projeto de iniciativa popular, construído em conjunto pelas centrais para a implantação do piso salarial estadual e a agenda dos trabalhadores de Minas Gerais. ”A CUT entende que Minas Gerais, por ter a terceira maior economia do Brasil, e ser o Estado cujo PIB cresceu mais que o do país, já deveria ter um piso salarial estadual superior ao salário mínimo, como acontece em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná”, disse o presidente da CUT-MG.
Marco Antônio considerou importante participar da qualificação dos trabalhadores. “É importante que todo movimento sindical participe, não que apenas uma central”, ressaltou. O presidente da CUT-MG criticou também os cursos de curta duração que, na sua opinião, não cumprem o papel de preparar os trabalhadores para exercer novas funções.
O presidente da CTB e do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) Gilson Reis, lembrou pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontando que 78% dos trabalhadores brasileiros não têm qualificação adequada para atender o mercado. “Mudar essa realidade vai exigir esforço conjunto extraordinário dos governos e sociedade. A iniciativa do Governo de Minas de criar a Rede Mineira do Trabalho sinaliza uma mudança de rumo essencial para o debate em torno do mundo do trabalho e de ações efetivas para transformarmos o que existe hoje”, disse ele.
Um dos objetivos da Rede Mineira do Trabalho, lançada nesta segunda-feira, é aumentar a demanda e melhorar a qualidade da oferta de emprego em todo o Estado e aproximar o governo dos movimentos sindical e social. As centrais sindicais terão papel fundamental nesta rede que, além de integrar e potencializar as ações do setor público já existentes, buscará compor parcerias com instituições do setor privado, organizações de classe e da sociedade civil como, por exemplo, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e federação de empresários.
Fonte: CUT