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Fórum de São Paulo debate rumos da esquerda latino-americana
Mais de 500 representantes de partidos de esquerda da América Latina reúnem-se no Uruguai para avaliar situação política do continente. Anfitriã do encontro, Frente Ampla quer reforçar união entre as organizações políticas de esquerda da América Latina.
O velho Parque Hotel, inaugurado em 1909 e uma das construções mais impactantes de Montevideo, é, desde 1997, sede oficial do Mercosul. Nos corredores projetados pelo arquiteto Guillermo West, delegações estrangeiras que integram a 18ª edição do Fórum de São Paulo circulam desde a manhã desta sexta-feira (23). Os países membros do encontro sediado na capital uruguaia (República Dominicana, Brasil, Equador, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Venezuela, Colômbia, Cuba, México, Nicarágua, São Salvador, Guatemala e Uruguai) debaterão até domingo perspectivas para a esquerda latino-americana e analisarão a situação dos governos progressistas no poder hoje no continente.
O Fórum deste ano deve reunir mais de 500 representantes de partidos políticos de esquerda de vários países e concluir as definições do encontro, linhas gerais de agremiações políticas de pouca hegemonia nos dias de hoje. Entre as presenças, destaca-se a participação de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, que deve chegar neste sábado (24), à capital uruguaia. Carlos Gaviria, presidente do Pólo Democrático Alternativo, principal partido de oposição a Álvaro Uribe na Colômbia, também é um dos nomes aguardados no encontro. Políticos e militantes de outros 23 países também são esperados como observadores do Fórum.
Os grupos de trabalho andino amazônico, caribenho e do Conesul abriram os trabalhos na manhã desta sexta. Durante o final de semana, será realizado um balanço políticos dos governos que atuam na América Latina. A Assembléia de aprovação da declaração final e das declarações particulares das delegações, acontece no domingo, dia 25. Homenagens à Nani Stuart, aos 80 anos do nascimento de Che Guevara e ao 100º aniversário de Salvador Allende também estão previstas.
Montevidéu recebe pela segunda vez o Fórum que, nesta edição, discute fundamentalmente questões como a atuação dos partidos de esquerda na mediação dos conflitos na Colômbia entre as Farc e o governo de Álvaro Uribe e a revisão dos tratados energéticos entre Paraguai, Brasil e Argentina.
Nos salões do Edifício Mercosul, fala-se em “relançamento” do Fórum de São Paulo, definição que indica a expectativa de utilizar o encontro para estreitar laços e reforçar a união entre os partidos políticos de esquerda da América Latina. Anfitriã da reunião, a Frente Ampla, do Uruguai, lançou um documento a partir da Comissão de Relações Internacionais, que sublinha este intenção. “A tendência à esquerda na América Latina é destacada por todos analistas políticos em nível mundial, criando condições para avançar e concretizar sonhos tão caros aos nossos povos e partidos, como a construção de uma pátria grande latino-americana”.
Renegociação de Itaipu
“Estamos falando com os companheiros do PT, do Brasil, para termos um encontro em junho ou julho. As organizações de esquerda dos nossos países, Lugo e Lula podemos criar um diálogo político para encaminhar as soluções de problemas sérios como a reforma agrária paraguaia e a questão de Itaipu”, assinalou o provável futuro Ministro da Energia do Governo Lugo, Ricardo Canese. Para o membro do Movimento Popular Tekojoja, a relação com o Partido dos Trabalhadores e outras organizações sociais de esquerda, como o MST, são indispensáveis para o novo governo paraguaio.
Sobre a expectativa popular criada em torno da vitória de Fernando Lugo, Canese explica que a primeira resposta do governo deve ser emergencial. “Há uma enorme expectativa inclusive de gente que não votou por Lugo. Estamos convencidos de que pouco a pouco podemos resolver os problemas estruturais. Organizamos uma frente política e social que seja um instrumento para avançar nas reformas”.
Segundo o engenheiro e autor do livro “La recuperación de la soberanía hidroelétrica del Paraguay” (Editora El ombligo del mundo, 2007), “o Tekojoja está em todo o país trabalhando para, depois da vitória, ganhar a batalha de um bom governo. Nossa transição dura até dia 15 de agosto, por isso, temos tempo para articular as demandas sociais e chegar nesta data com propostas bem afiadas e soluções imediatas e efetivas”.
Fonte: Agência Carta Maior
Publicado em 29/05/2008
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