|
|
Violência contra a mulher é assunto "invisível"
Existe um descompasso entre a prática dos serviços públicos e os direitos humanos das mulheres. Esse desencontro é responsável pela permanência da violência contra a mulher. A constatação foi feita pela professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanota, na audiência que a Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira (28/05) para discutir os "Impactos da Violência Doméstica na Saúde da Mulher.
Suicídio, alcoolismo, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e cefaléia (dores de cabeça) são algumas das doenças listadas resultante da violência doméstica contra as mulheres. Para a deputada Cida Diogo (PT-RJ), que sugeriu a realização do evento nesta semana devido à comemoração, na quarta-feira (28/05), do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e do Dia de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, é preciso tirar o assunto da invisibilidade.
Zanota elogiou a política do Ministério da Saúde de atenção à mulher, que, segundo ela, avançou muito no Governo Lula, mas enfatizou a necessidade de vontade política dos operadores de saúde para colocar em prática um atendimento voltado para o combate à violência doméstica contra a mulher.
Ela disse que nos hospitais públicos, nos pronto-socorros e nos postos de saúde, a violência não se torna visível, "porque a violência doméstica envergonha o que sofre e o que cuida, gerando situação constrangedora". A deputada Cida Diogo disse que a pouca assistência ao debate sobre o assunto comprova que a vergonha alcança também os que discutem o assunto.
Sem motivação
"Não há motivação na prática institucional do combate à violência contra a mulher", queixou-se Zanota, acrescentando que com isso "não há notificação e nem atendimento específico".
Ela apresentou o resultado de uma pesquisa realizada com 330 mulheres, em Botucatu (SP), que mostra que as mais atingidas pela violência doméstica são jovens entre 15 a 24 anos e que são atingidas pelos familiares e, em casos de agressões mais severas, pelos companheiros e ex-companheiros. Em 55% dos casos, as violências são repetitivas, crônicas e severas e, em 11% dos casos são agressões sexuais.
O resultado da pesquisa não aparece nos prontuários médicos. Segundo Zanota, isso significa que nem a notificação compulsória reverteu a situação de invisbilidade dos casos de violência doméstica.
Aumento de custos
Para a deputada, a violência doméstica contra a mulher tem um viés cultural que torna o assunto rotineiro e não recebe a atenção necessária. Segundo ela, a compreensão da saúde da mulher não pode se restringir ao atendimento ginecológico. O assunto abrange aspectos da saúde pública, segurança pública e direitos humanos.
Para ela, a violência doméstica, além de constituir um ato de violência contra a mulher, fere um direito fundamental, que é o direito à vida. A parlamentar informa que pesquisas do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre o impacto da violência doméstica e sexual na saúde demonstram aumento de custos para o sistema.
Também participaram do debate a representante da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Elisabeth Saar, e do Ministério da Saúde, Lena Peres, que destacaram as políticas públicas que estão sendo implementadas nessa área.
Fonte: Vermelho
Publicado em 30/05/2008 |
|
|
|