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CUT: Marcio Pochmann debate a reinvenção do sindicalismo
"O que temos hoje é importante mas não será suficiente para o futuro"
O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, participou na tarde desta quarta-feira (6), da 12 ª Plenária Nacional da CUT, que acontece até sexta-feira (8), no Hotel Holiday Inn Anhembi, em São Paulo. O economista falou sobre o papel do movimento sindical nas novas relações de trabalho e apontou a necessidade de reinvenção da atuação e organização do movimento sindical.
Na primeira parte de sua exposição, Pochmann, relembrou o contexto político em que surgiu a central. "Antes da CUT os direitos sociais aconteciam em momentos de repressão. Até o seu nascimento a taxa de sindicalização não superava um dígito. Com sua criação inicia-se um processo de expansão que resultou em 4 mil greves na década de 80. Mesmo com toda a organização, que permitiu tantas mobilizações, não tivemos avanços porque o governo vivia um momento de regressão com a crise do desemprego e com efeitos perversos para o trabalhador, que só não foi maior devido às manifestações dos movimentos sociais", ressaltou.
Segundo ele, a reflexão está nas condições necessárias para atuação da central nos próximos anos, para que seja protagonista na luta dos trabalhadores. "Vivemos em um mundo que transformou sua relação de trabalho. Hoje, com o uso da internet e celular, trabalha-se 24 horas, e com isso, se estabelece uma parceria com a empresa. Essa realidade aliada a outros fatores exige que o sindicato se reinvente – o que temos foi importante até aqui – mas não será o suficiente para o futuro".
"A CUT precisa encontrar uma forma inteligente para enfrentar essa nova forma de trabalho. Acredito que a melhor saída é estudar, pesquisar - buscar um aparato de conhecimento. A pesquisa será fundamental para o sindicato nesse contexto porque estamos falando de trabalhadores capacitados que não serão convencidos com um discurso. Uma pesquisa sobre trabalho divulgada nos meios de comunicação pode ter o mesmo efeito de uma greve. A questão é como o movimento sindical pode operar nesse sentido - será a substituição do movimento sindical a base do conhecimento empírico pelo de pesquisa", esclareceu o economista.
Além desses fatores, salientou também a necessidade de revigoramento do fundo de investimento que deve ser realizado de forma e com pessoas qualificadas com o objetivo de fortalecer a atividade sindical com estruturas sólidas. "Estudar as relações do trabalho moderno e estabelecer a construção de uma nova sociabilidade é papel dos movimentos sindicais. A CUT ao completar 25 anos mostra que está pronta para essa transformação", finalizou.
Fonte: CUT
Publicado em 08/08/08 |
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