Pesquisa relaciona violência e falta de emprego entre jovens envolvidos com o tráfico

Uma pesquisa realizada pela ONG Observatório das Favelas, entre 2004 e 2006, faz uma alerta sobre a falta de perspectivas e violência a que estão submetidos os jovens que lidam com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. De um total de 230 jovens com idade entre 11 e 24 anos que foram entrevistados, 46 morreram ao longo da pesquisa, sendo que 30 foram mortos por policiais.
O estudo aponta que 73% do total desses jovens sofreu algum tipo violência policial como agressão física, extorsão e até tiros. Quase 70% já entrou em confronto com a polícia.

Segundo a coordenadora do núcleo de violência e direitos humanos do Observatório das Favelas, Raquel Willadino, os jovens criticam o predomínio de políticas repressivas e a falta de políticas sociais por parte do Estado. Outro ponto destacado pela coordenadora é a dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

“Eles enfrentam no cotidiano uma dificuldade muito significativa de inserção no mercado de trabalho. Sobretudo os garotos que tiveram uma inserção mais prolongada na rede ilícita [tráfico], que estão afastados da escola por um bom tempo e quando eles decidem sair da rede [tráfico], muitas vezes têm dificuldade”.

Apesar do baixo nível de escolaridade, mais de 60% dos entrevistados tiveram outras experiências de trabalho antes de entrar para o tráfico. No entanto, a entrada para o mercado das drogas foi principalmente pela motivação econômica e pela falta de emprego.

Destes 230 jovens, apenas 7% ainda estão na escola. Quase metade desistiu de estudar entre os 11 e 14 anos, faixa etária que coincide com a entrada no tráfico de drogas.

Fonte:Radioagência Notícias do Planalto
Publicado em 14/11/2007