|
Alunos da Unicsul fizeram um abaixo assinado com mil assinaturas contra a possível implantação de aulas semipresenciais na universidade.
Em reunião realizada no dia 4 de setembro, a Comissão de Defesa dos
Direitos do Consumidor, presidida pelo deputado Alex Manente (PPS),
recebeu a denúncia dos alunos de direito da Universidade Cruzeiro do
Sul (Unicsul), sobre a possível implementação de aulas semipresenciais
na instituição
Segundo diretor da Unicsul, Carlos Fernando de Araújo Júnior, a
modalidade começou a ser utilizada na universidade como projeto piloto
em 2001. Agora, a intenção é implantar o formato. "Portaria do MEC
permite que o ensino superior utilize 20% dos cursos em modalidade
semipresencial, e a Unicsul tem a intenção de implantar esta modalidade
em seu plano institucional", afirmou Araújo.
"Quero esclarecer que existe a questão da aula versus atividade – aula é
o momento essencial do ensino, e o ambiente virtual é uma ampliação do
aprendizado do estudante. Temos a intenção de aumentar a atividade
estudantil por meio do acesso virtual 24 horas por dia", declarou Araújo.
Ele ainda acrescentou que, fora do Brasil, este sistema é usado, sendo
considerado um estímulo ao aprendizado.
Mudança das regras do jogo
O representante do Procon Guarulhos, Roger César Bianchi, afirmou que
a entidade não pretende discutir qual o melhor método de ensino, e sim
analisar uma possível quebra de cláusula de contrato por parte da
universidade denunciada pelos estudantes.
"O contrato não dá margem para alteração do sistema de ensino no
meio do curso, ou seja, essa alteração unilateral constitui prática
abusiva da universidade", asseverou. Bianchi declarou que recebeu um
abaixo-assinado com mil assinaturas dos estudantes da Unicsul contra
as possíveis medidas da instituição, já que estão preocupados não com
a informatização do ensino, mas com a perda da qualidade.
Em resposta à declaração do diretor da Unicsul de que a
semipresencialidade não fere a lei, o representante dos alunos da
faculdade, Rodrigo, disse: "o fato de a Unicsul chamar para si o princípio
da autonomia para mudar seus critérios didáticos no meio da vigência de
um contrato não significa que ela possa violar um direito que os
estudantes adquiriram ao entrar para a universidade".
Segundo Rodrigo, o que vem acontecendo é algo mais amplo, ou seja, é
um processo de dilapidação progressiva do ensino. "Chegou o momento
em que os alunos não aceitaram mais a violação do contrato que
assinaram. Além disso, semipresencialidade pressupõe computadores
suficientes para todos os alunos, o que não há, além de não haver
espaço para todos os micros nas instalações da escola".
Segundo o ex-deputado Rui Falcão (PT), é competência da Comissão de
Defesa dos Direitos do Consumidor receber esta denúncia dos
estudantes da Unicsul, ouvir todas as partes envolvidas na questão e
esclarecer o problema. "Me parece que alteraram as regras do jogo
antes do final", afirmou.
Finalizando a reunião, Alex Manente declarou que a comissão tem de
ouvir a população. "Temos obrigação de promover as ações que nos
cabem, já que nossa função é ouvir o cidadão paulista, que tem o direito
de utilizar esta Casa de leis para expressar seus anseios".
Fonte: Assembléia Legislativa de São Paulo
Publicado em 10/09/07 |
|
|
|
|