O papel da mídia nas eleições 2010 é tema de debate no XIV CONSIND

“O tema da mídia está ganhando dimensão na esquerda social e política, por isso, gostaria de parabenizá-los por incluir essa discussão nesta atividade da CONTEE”. Foi com essa mensagem que o jornalista Altamiro Borges iniciou a sua palestra na tarde de sábado, dia 29/05, durante a realização do XIV CONSIND da CONTEE – que aconteceu em São Paulo/SP. O tema do debate foi: “A mídia e os processos eleitorais”, e despertou muito interesse dos participantes da atividade. O debate foi coordenado por José Carlos Arêas, Coordenador Regional Norte da CONTEE.


Inicialmente, Miro, como é conhecido, fez um resgate da história da imprensa, afirmando que ela já “nasce com opiniões políticas, na Alemanha, Inglaterra, França e no Brasil. Seja opiniões das oligarquias ou dos movimentos operários, com seus jornais, no final dos século 19, início do século 20”. De acordo com o jornalista, toda a imprensa é partidarizada e nasce para interferir no debate de ideias. Ao longo da história, a imprensa passou a ser também um instrumento de lucro, um negócio. Desta forma, segundo Miro, ela assume um duplo poder: econômico e ideológico. “E se transforma num verdadeiro partido do capital, como dizia (Antonio) Gramsci”, explicou.

Miro informou ainda que, em alguns países, no processo eleitoral, a imprensa afirma qual é a sua posição, como nos EUA, por exemplo. Entretanto, disse, “no caso do Brasil, nem isso ocorre. A imprensa tem posição, mas não assume, tenta camuflar. E essas opções sempre foram contrárias aos interesses da classe trabalhadora, na defesa do livre mercado e da propriedade”.


Lembrou que os principais jornais brasileiros apoiaram o Golpe Militar de 1964. “A Folha de São Paulo cedeu suas peruas de transporte de jornal para conduzir presos políticos ao DOI-CODI. Somente quando percebeu que a coisa ia naufragar, a Folha passou a ter um papel na retomada da democracia”, disse.
Destacou ainda que a mídia já forjou candidaturas – a mais conhecida delas foi a de Fernando Collor de Mello. “A mídia divulgou a ideia de Estado mínimo, do Brasil sem fronteiras, onde não há defesa de soberania, de que os direitos trabalhistas são em demasia no Brasil – e muito trabalhador foi na onda do discurso neoliberal”. E completou: “a mídia está vinculada ao capital financeiro no Brasil e no mundo e, por isso, entrou com tudo no projeto neoliberal”.

Em relação ao comportamento da mídia hegemônica em 2010, ele acredita: “espero estar equivocado, mas acho que a mídia vai cumprir o seu papel mais sujo, utilizando todos os seus instrumentos – a novela, a publicidade – para tentar manipular o jogo eleitoral. Dando destaque ao que interessa e omitindo o que não interessa. Vão utilizar todos os recursos nessa batalha, por que as instituições das classes dominantes estão abaladas”. E completou: “essa eleição não começou e quem colocar salto alto vai cair. Vai ser um jogo muito bruto! E só vai começar depois da Copa do Mundo”.


Para Miro, um das razões para este comportamento da mídia está no fato da oposição estar sem programa e sem discurso. E, apesar da mídia estar sofrendo certa vulnerabilidade – em função do avanço da internet, que está tirando os leitores dos jornais e das TVs – ela ainda é perigosa.

E concluiu: “diante desse poder, temos três grandes desafios. Primeiro: não ter ilusão. Eles são sedutores e têm poder. Nós não vamos conseguir democratizar a família Marinho, a família Saad, os Civita. Segundo: devemos confiar em nossos próprios meios, investir nessa mídia alternativa, de visão contra-hegemônica. Entender que comunicação não é gasto, é investimento na batalha da luta de ideias. E terceiro: lutar, mesmo num Estado burguês, por mudanças legislativas, pela criação de políticas publicas que aumentem a diversidade e a pluralidade informativa”.

Veja AQUI a galeria de imagens do XIV CONSIND.

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Daniele Moraes, de São Paulo/SP


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