16º Congresso FSM: Crise, Luta de Classes e Unidade dos trabalhadores

 

Por Edson de Paula*

O terceiro dia de trabalhos em Atenas.

Hoje, dia 8/04, Atenas amanheceu mais animada, a presença de inúmeras delegações internacionais agita e aquece a cidade. Não há uma rua onde não se veja um cartaz anunciando o 16º Congresso da FSM. Dezenas de voluntários do Partido Comunista recebem os sindicalistas e os orientam em todas as suas necessidades.  Estes voluntários são em sua enorme maioria jovens estudantes gregos, falam inglês fluentemente e muitos deles dominam o espanhol com desenvoltura. Ontem, à noite, nos presentearam com uma belíssima festa na sede do Partido. Orquestra, banda e cantoria animaram a homenagem no auditório, extremamente bem estruturado, com capacidade para 1100 pessoas, localizado no térreo do prédio monumental da sede partidária. Abriu a festa a Secretária Geral com um discurso bem articulado, enunciando pontos de convergência entre a luta sindical e a luta do partido comunista para a libertação dos trabalhadores. Em sua análise, serena e equilibrada, o mundo caminha a passos largos para uma terceira guerra mundial que só poderá ser evitada pela ação firme e unida dos trabalhadores e das organizações sociais comprometidas com construção do socialismo. Para os delegados e observadores a noite foi curta, antes de um novo dia de trabalhos.

A CTB teve presença firme e consistente nos debates. Com seus 36 representantes, vindo de todas as regiões do Brasil, a CTB deixará sua marca na história dos Congressos da FSM.  O presidente Wagner Gomes fez pronunciamento reafirmando nosso apoio à consolidação da FSM. Propôs mudanças no documento político apresentado à plenária “que, ao analisar a crise econômica internacional, não consegue captar em sua plenitude as particularidades, diversidades e divergências no processo histórico de desenvolvimento econômico e político das nações(...). A crise econômica acentuou o desenvolvimento desigual das nações e o deslocamento do poder econômico mundial do ocidente para o oriente e, destacadamente, dos EUA para a China, um país dirigido por um partido comunista e que se considera socialista(...). É nosso dever elevar o protagonismo da classe trabalhadora na luta por uma nova ordem mundial e lutar para conferir às mudanças um sentido social avançado, anticapitalista”.


Wagner Gomes da CTB (Brasil)

Outra importante intervenção foi a do representante dos trabalhadores de Honduras: “O Golpe de Estado em Honduras se enquadra dentro deste conflito, no qual se jogam interesses geopolíticos com consequências diretas nas condições de vida dos povos, pois o sistema econômico que tentam preservar pela força é o que ocasionou a grande crise social e econômica, aumentou a polarização da riqueza e a concentração do poder político, a ruína dos aparatos produtivos nacionais e a destruição do meio ambiente, entre outros.”

Os debates de hoje foram sequência dos de ontem, que tiveram início com um balanço sobre as atividades da FSM. Apresentado pelo Secretário Geral, Mavrikos, o relato deu o tom das demais intervenções do dia. “Há um caráter de classe na crise de hoje; o capital continua a acumular lucros enquanto aumenta o desemprego e impõe cortes nos direitos trabalhistas”.  Os representantes do capital apresentam saídas artificiais e destrutivas. As guerras que promovem são guerras contra o trabalho e a venda de armas aumentou em 20% nos últimos 18 meses. Lutamos para que orçamentos destinados ao setor bélico sejam desviados para os setores sociais. A FSM continuará enfrentando todos os desafios e o medo já não é uma palavra presente em nosso vocabulário. Estivemos presentes e apoiamos os inúmeros movimentos de resistência ocorridos na Europa e no mundo. Precisamos formar uma nova geração que esteja consciente da necessidade de acabar com a exploração do homem pelo homem – ressaltou Mavrikos.

“A crise para a qual fomos levados é sistêmica, por isso é também política. Os trabalhadores devem reagir com inteligência e audácia” – foi a mensagem trazida pelos trabalhadores de Cuba. Em seu discurso, Salvador Valdés, da CTC, declarou que “Defenderemos a todo custo nossa seguridade social, nossos sistemas de saúde e educação gratuitos e universais. Igualmente protegeremos a ampla participação na tomada de decisões em todos os níveis, da cada vez maior democracia sindical e política que disfrutamos, todas conquistadas com a Revolução.”


Legenda: Salvador Valdés da CTC (Cuba)

O presidente da Síria, o presidente da República do Chipre e o presidente da Bolívia enviaram mensagens reafirmando a importância da luta dos trabalhadores e a relevância da FSM.

Passaram pela tribuna trabalhadores da África do Sul, Chipre, Damasco, Líbano, Venezuela, Panamá, França, Cuba, Índia, Brasil, Sudão, Portugal, além de representantes da UIS Metal, da Organização pela Libertação da Palestina.

Marcela Maspero, da Venezuela, fez um contundente discurso e destacou: “Justamente nosso país Venezuela, assim como Equador, Bolívia, Nicarágua, Cuba, Uruguai e de algum modo também Argentina e Brasil, são países que no nosso continente, na América Latina, foram em algum momento páteo traseiro do império norteamericano e hoje transitamos caminhos de libertação decididos por nossos povos. Hoje se constrói em nosso continente importantes esforços de integração como a ALBA,  Alternativa Bolivariana para as Américas, que derrotou a ALCA que deslocou os Tratados de Livre Comércio e que representa sem dúvida uma ameaça para o império norteamericano.”

A cada discurso aprofunda-se a denúncia do caráter desumano do capital que, com voracidade, ataca todos os lugares de onde pode extrair riquezas e explorar o trabalho. É “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”, como cantou Caetano. Corrompe governantes e subjuga governos, tal ocorre agora com Portugal que concretiza de maneira formal sua entrega ao FMI.

A FSM deve estar em todos os lugares onde se luta contra o imperialismo. A unidade de classe é nossa arma e mobilização consciente nossa ferramenta de mudanças.

* Edson de Paula é presidente FITEE e Coordenador Regional Centro-Oeste da CONTEE (de Atenas/Grécia).

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